Lei de Transito : Bebidas

Cuidado ao comer sobremesas. Teste do bafômetro pode detectar teor alcoólico


A presença de álcool no bafômetro vai depender do organismo de cada
motorista. O médico João Chequer Bou-Habib diz que é difícil a pessoa
apresentar sinais de embriaguez com um bombom, mas dependendo do tempo
e da quantidade que foi ingerido o nível de álcool pode ser detectado
em uma blitz.

Ele
explica que o teor alcoólico nesses alimentos é pequeno e por isso é
eliminado rápido, não apresentando problemas à coordenação motora do
indivíduo.

Porém o médico lembra que, independente do bafômetro,
se uma pessoa ingeriu álcool é certo que será detectado em algum teste,
afinal a substância estará no organismo. “A sugestão que dou é que se
for dirigir evite comer e, é claro, beber algo alcoólico. Nunca se sabe
quando será a sua vez em uma fiscalização, então melhor não arriscar”.

O médico João Chequer Bou-Habib ainda alerta que a bebida ou o
chocolate é apenas um veículo para levar o álcool à corrente sanguínea.
Para ele os motorista devem evitar ingerir qualquer coisa que contenha
teor alcoólico antes de dirigir, porque estará exposto.

(Antonio Cezar Martins e Daniella Zanotti)

De chocolates a xaropes não haverá perdão para quem for pego pelo bafômetro



A
nova lei proibindo motoristas de dirigirem após a ingestão de qualquer
conteúdo que contenha álcool na composição é impiedosa e não faz
distinção entre condutores embriagados e aqueles que saborearam uma
sobremesa como trufas com licor de cerejas, sorvete com calda de licor
de cassis, bombons com recheios de menta. Penaliza ainda quem precisa
fazer uso de medicamentos que contenham álcool como xaropes, entre
outros.

Segundo o titular da Delegacia de Delitos de Trânsito no
Estado,
Fabiano Contarato, nesses casos a fiscalização da polícia será
determinante. “É claro que quando a polícia, seja ela Militar ou
Federal aborda um condutor, ele só vai pedir o teste do bafômetro se
aquela pessoa apresentar sinais de embriaguez, de excitação ou torpor,
caso contrário não vai, então essa não é a regra”.

Daniella Zanotti
Mas não é bem assim que pensa o tenente-coronel Valdir Leopoldino,
comandante do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar. “Vamos cumprir a
lei. Independente do que foi ingerido, se houver alteração, a punição
será aplicada”, afirma

Café com grapa também é risco

O
chef de cozinha e também bioquímico, Juarez Campos, aconselha o
consumidor a ficar alerta. Os que apreciam o café expresso com dose de
grapa
(destilado de uva), bebida que é servida em alguns locais,
principalmente no inverno, podem ser pegos nas blitze. “Mesmo o café
estando quente, não evapora,
porque o café não está fervendo, ele só está quente e quando se
adiciona a grapa fria, a temperatura irá reduzir”, explica.

Os
alimentos que não são aquecidos ou flambados, e portanto, não evaporam
a quantidade de álcool contida em algumas receitas, também levantam
dúvidas. Juarez Campos aconselha o consumidor a ficar em alerta
principalmente em relação as sobremesas. “Alguns bolos que levam
conhaque ou rum e possivelmente esses chocolates recheados com licores,
porque alguns têm em torno de 38 a 40% de concentração de álcool. Como
esse álcool não foi aquecido, ele estará concentrado e vai para o
sangue do indivíduo”, destaca.

              Atenção! Produto com álcool

Com
a repercussão de que uma simples trufa pode comprometer um motorista no
teste do bafômetro, a fábrica de chocolates Le Chocolatier já anuncia
mudança na comercialização dos produtos. A proprietária da empresa,
Dalva Frinhani, irá a partir de agora identificar os chocolates que são
recheados com licores em festas e cerimoniais.

“Teremos placas
com os dizeres ‘atenção, esse produto contém álcool’. Nós já temos as
placas feitas de chocolate indicando os sabores das trufas nas mesas,
mas agora iremos identificar as que levam álcool”, informou a empresária.

Na edição desta quarta-feira (25) do jornal Notícia Agora confira o
resultado do teste do bafômetro feito pelo repórter Antonio Cezar
Martins ao comer algumas trufas com licor.

Para o presidente do
Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares do Estado
(Sindibares-ES), Wilson Calil, a lei vai funcionar mais como um
instrumento de marketing, porque segundo ele, não houve muitas
mudanças. “A pessoa que bebia, não passava a noite toda somente com uma
latinha, ou ela bebia ou não bebia nada”. Calil também salientou que o
tema é importante e traz novamente a tona o assunto álcool e direção.

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